Estudantes de Comunicação do CEUMA apresentaram projetos acadêmicos sobre trabalho escravo contemporâneo, em parceria com o MPT-MA

(30/05/2025) - Campanhas publicitárias, reportagens, sites e vídeos foram alguns dos produtos apresentados durante o evento que contou com a participação da vice-procuradora-chefe do MPT-MA Renata Soraya Dantas Océa e da chefe da Assessoria de Comunicação do MPT Amarilis Cardoso

Na última sexta-feira (30/05), nos turnos da manhã e noite, alunos dos cursos de Jornalismo e de Publicidade do Centro Universitário do Maranhão (CEUMA) realizaram um evento de Culminância do Projeto Interdisciplinar II sobre direitos humanos, que teve como temática o “o enfrentamento ao Trabalho Escravo Contemporâneo”. O objetivo do projeto é promover a extensão, com o desenvolvimento de atividades que promovem a interação entre a universidade e a comunidade, aplicando o conhecimento acadêmico em situações reais e contribuindo para a resolução de problemas sociais. A iniciativa uniu estudantes e professores de Comunicação e contou como a coordenação e orientação dos professores Miguel Abdala e Alexandre Bruno Gouveia Costa, em parceria com o Ministério Público do Trabalho no Maranhão (MPT-MA), por meio da sua Assessoria de Comunicação.

O evento de culminância aconteceu no auditório Dr. Expedito Bacelar, da Universidade Ceuma, e contou com a presença dos acadêmicos que desenvolveram os trabalhos e dos professores orientadores; além do jornalista Emílio Ribeiro, que é Coordenador dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda; da vice-procuradora-chefe do MPT-MA Renata Soraya Dantas Océa; e da chefe da Assessoria de Comunicação do MPT Amarilis Cardoso Santos.

A vice-procuradora-chefe compartilhou em sua fala a relevância dos universitários terem se motivado e construído esses projetos práticos de comunicação, ressaltou que precisamos ter na sociedade mais iniciativas que fortaleçam a luta pelos direitos humanos, aqui com o recorte em especial ao enfrentamento a mais grave violação de direitos, que é o trabalho análogo à escravidão. Ela disse ainda: “fico muito feliz em estar aqui hoje. Particularmente, adoro dialogar com estudantes, porque acredito que atividades como esta é uma semente que está sendo plantada. O trabalho que o MPT realiza, às vezes, é invisibilizado. Por isso, vocês enquanto alunos de comunicação são essenciais para propagar essa informação e nos fortalecer enquanto instituição essencial para a promoção da justiça e a defesa dos direitos dos trabalhadores”. A vice-procuradora-chefe complementou explicando como é a complexidade das operações de resgate de trabalhadores escravizados e a necessidade de uma conscientização social. “Encontramos trabalhadores que nem sabem que estão em condição análoga à escravidão. Ele acha que é normal tudo que está vivendo. Assim, saber que futuros profissionais de comunicação tiveram essa curiosidade em conhecer, noticiar e publicizar sobre esse tema nos alegra muito”, expressou a Renata Océa.

Amarilis Cardoso, que é a chefe da Assessoria de Comunicação do MPT e professora de comunicação, celebrou a iniciativa como um projeto fundamental para a construção profissional dos acadêmicos de comunicação: “experiências de extensão como essa, são enriquecedoras para formação acadêmica dos nossos alunos. Vocês tiveram a oportunidade de aproximar a teoria da prática e vivenciar um projeto real. Bem como, de fazer com que a universidade cumpra o seu papel social. Eu defendo que nós, comunicadores escolhemos essa profissão e não vamos atuar somente para a produção técnica da ciência, nós optamos em trabalhar pela comunicação que é um direito humano, e por isso assumimos a responsabilidade de fazer como que a sociedade tenha acesso a ele, por meio da informação e da educação”, afirmou.

O professor e orientador de jornalismo Alexandre Bruno falou sobre a satisfação em ter realizado esse projeto, “temos que olhar para o mercado, mas, observar para além dos muros da Universidade e aplicar o conhecimento que está sendo produzido aqui hoje. Com a conclusão do nosso projeto vivenciamos isso. O êxito dele só foi possível porque contamos com apoio do MPT, auxiliando os alunos por meio de entrevistas com procuradores, nos entregando materiais e dados. Queria agradecer a chefe da Assessoria de Comunicação que possibilitou todo esse acesso de aprendizado sobre um problema real e desafiador para os estudantes e para nós professores que foi comunicar e educar sobre o enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo”, afirmou o professor.

A discente do curso de Jornalismo Manuela Lobato, destacou a frase “a informação resgata e liberta”, explicando como os estudantes de comunicação é um articulador primário na missão no compartilhamento do conhecimento por meio da informação diante de assuntos que norteiam a garantia dos direitos sociais. “Nós estudantes de jornalismo temos uma responsabilidade, a missão transmitir a verdade. Às vezes não vamos ter a informação completa em mãos, mas, precisamos ir além, investigar e conseguir repassar os fatos reais, a fim de que seja um meio de prevenir, divulgar e aconselhar àquelas pessoas que estão precisando ser alertadas, como no caso a gravidade do trabalho escravo vivida por muitos maranhenses”, frisou Manuela.

O professor Miguel Abdala coordenou o evento, onde todos os alunos apresentaram os trabalhos desenvolvidos por suas equipes, refletindo o grande envolvimento na pesquisa, o esforço coletivo, a criatividade e a dedicação de cada participante. A professora Selma Cavagnac foi lembrada como a idealizadora do tema junto a reunião do colegiado, e outros professores foram homenageados por sua orientação constante, como André Fernandes, Joelson Brade, Ricardo Gessé e Emílio Ribeiro.

Miguel explicou ao longo das apresentações que a atividade Interdisciplinar simula o ambiente profissional e desenvolvimento dos alunos, parabenizando-os pela jornada criativa de cada projeto. “Tensões, dificuldades, reuniões e alinhamentos fazem parte do processo. Mas é justamente desse desafio que nascem resultados surpreendentes. Os alunos transformam teoria em prática, ideias em ações, conhecimento em impacto. É a marca de quem já pensa e age como profissional”, finalizou o professor.

O Projeto Interdisciplinar investigou e entrevistou diversas fontes de aprendizado sobre o tema: pesquisadores da UFMA, Secretaria de Direitos Humanos, livros, sites de pesquisa e o MPT. Nas primeiras semanas de maio, foram realizadas entrevistas com os procuradores do Ministério Público do Trabalho (MPT) Luciano Aragão, Pollyana Sousa Costa Tôrres e Rafael Mondego. Tendo como abordagem central a atuação do MPT-MA no combate ao trabalho escravo, fraudes nas relações de trabalho, rotas de aliciamento e políticas de reinserção social.

Para o MPT-MA foi gratificante ter recebido esses jovens pesquisadores, entendendo que estes futuros comunicadores vão colaborar com a construção de uma sociedade mais justa e informada. Reforçamos o nosso compromisso em construir parcerias que visem o desenvolvimento do conhecimento e da ciência, por meio de ações educativas em favor da promoção dos direitos humanos e que fortaleçam a missão do MPT, que é a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis no âmbito das relações de trabalho. 

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